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Nesta Copa do Mundo, as seleções da Holanda e da Alemanha – que golearam em suas primeiras partidas – têm mais em comum do que simplesmente o bom desempenho da primeira fase: a presença de esposas e namoradas na concentração. Coincidência ou não, a gestão menos rígida das duas equipes se reverteu em gols. Foi assim que entrou em campo, junto com o Mundial, a discussão sobre os benefícios da flexibilidade.

Assim como os bons técnicos de futebol, abrir mão de certas regras é cada vez mais necessário nas organizações. Argumentos para reforçar essa tese não faltam, mas vou frisar um relevante: a falta de tempo nas grandes cidades. O tema não sai nunca da lista dos problemas porque com o trânsito caótico, os funcionários perdem cada vez mais tempo se deslocando. Nesses casos, soluções de home office, por exemplo, caem muito bem. Por um lado porque acabam com o problema em si e, por outro, eliminam custos desnecessários para a empresa (aluguel de espaço, por exemplo). Sem contar a questão da qualidade de vida, que é quem a grande ganhadora da história.

Em se tratando uma competição tão acirrada e mundialmente vista como a Copa, os dirigentes certamente entenderam que ter a família por perto funciona, para os atletas, como um agente de descompressão. Da mesma forma, as organizações vivem momentos estressantes, já que são obrigadas a dar resultados cada vez melhores aos seus acionistas. Assim como a grande sacada dos dois técnicos, eu diria que a nossa, enquanto empresa, é percebermos que a cultura é evolutiva, e não estática. E se ela muda, as regras devem mudar junto.

O caso do home office, por exemplo, já é uma realidade, porque é possível fazer reuniões não presenciais com muita facilidade. À distância também é possível gerenciar uma equipe em todas as suas necessidades (motivação, integração, identificação de lideranças, coaching, treinamentos, avaliação de performance…) Nessa lógica, pode soar completamente normal ter funcionários dispostos para uma reunião à noite ou para fazer uma conferência com outro país em horários específicos para atender as necessidades de fuso horário. Em contrapartida, eles podem ter o direito de estar mais livres durante alguns dias da semana, atender a compromissos pessoais durante o horário de expediente, entre outras facilidades. A legislação trabalhista brasileira ainda terá que se ajustar à essa nova realidade, claro, mas vejo isso como uma questão de tempo.

Outra questão gritante de flexibilidade para as empresas no Brasil é a roupa de trabalho. A forma de se vestir é cultural e, portanto, também evolui. Especialmente em lugares quentes, a dupla terno/gravata está cada vez menos adequada. Por outro lado, permitir trajes mais “fun” em dias especiais (camisetas da seleção em dias de jogo do Brasil, roupas mais descontraídas em ocasiões de festas, etc) dá mais vida ao ambiente e às pessoas. Essa demanda, moderna, fica mais clara com  a chegada na geração Y nas empresas, cuja performance está muito ligada ao prazer e à diversão.

Por meio dessa rápida análise, percebemos que a flexibilidade anda de mãos dadas com o bom senso: a sociedade precisa estar atenta às demandas das pessoas das quais depende. Ela precisa se antecipar, exercitando o processo de “escuta”, compreendendo as necessidades de seus profissionais e analisando quais vão realmente impactar na motivação da equipe, no produto ou serviço final oferecido ao cliente, além de custos extras no orçamento.

Da mesma forma que os técnicos de futebol não querem mexer em time que está ganhando, é normal que as empresas tenham receio de mudar regras do jogo quando estão por cima. Contudo, acabam não percebendo as mudanças rápidas do mercado, da cultura e acreditam que, se obtiveram sucesso no passado, obterão também no futuro. Mas a realidade é que nunca o mercado mudou tão rapidamente. Não há campeões por decreto e a seleção espanhola está aí para provar essa máxima…

Temos visto produtos antes considerados essenciais sumirem do mercado de forma repentina, afetados pelo desenvolvimento de outros semelhantes e com mais funções. O fim do ciclo de vida da máquina fotográfica, do fax, do scanner e da fita cassete são exemplo dessa evolução assustadoramente rápida das coisas. Por isso, acho que a expressão “em time que está ganhando não se mexe” caiu completamente em desuso. Sabemos que nenhum time é absoluto porque as competências da competição passada não são, necessariamente, as mesmas necessárias para ganhar o jogo agora.

O saldo positivo do jogo é que as empresas já perceberam esse movimento e vêm se reinventando todos os dias. Gosto de dar o exemplo do aplicativo Waze, que ganhou o mercado rapidamente porque foi o primeiro GPS a trabalhar com o processo colaborativo para detectar engarrafamentos e sugerir outros caminhos alternativos. Antes dele, os GPS nos davam uma rota estática.Com esse modo de funcionamento, o Waze ganhou rapidamente um número imenso de adeptos. Além disso, quanto mais pessoas usam o aplicativo, mais difícil será a entrada no mercado de concorrentes.

O sucesso desse aplicativo é um índice a ser considerado, analisado e copiado. As organizações precisam escutar os desejos do mercado e implementar produtos e serviços adequados, se quiserem sobreviver. Mas só conseguirão fazer isso se mantiverem um quadro de funcionários motivado, alerta, antenado, disposto a investir tempo e esforço no crescimento da organização. O caminho para isso, você já conhece. Senão, basta voltar para o primeiro parágrafo.

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