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A geração Y não é adepta de revoluções ou passeatas para mudar o mundo, mas foi silenciosamente propondo novas maneiras de viver e de se comunicar, mostrando que tem uma grande capacidade de reinventar a cliques de mouse. Segundo um artigo publicado na revista Exame, esta é a geração que abraçou o conceito de “compartilhar” em detrimento do “ter” e do “acumular”, tão valorizados pelas gerações passadas. Na verdade, o que essa geração vem fazendo nada mais é do que um resgate do que já fomos um dia.

No início, éramos todos artesãos. O sapateiro confeccionava sapatos, a costureira criava roupas, o marceneiro fazia móveis. Depois, eles vendiam seus produtos para a comunidade ou, quando ficavam mais conhecidos, serviam a realeza. Já na era industrial, o mundo organizou-se em escala. Surgiram as fábricas que empregavam pessoas e produziam os mesmos produtos mais rapidamente. Esse processo, por ser mais barato, foi “matando” o trabalho artesanal que não conseguia concorrer com a eficiência e os custos da linha de produção.

Mais recentemente, a tecnologia auxiliou a automação dos processos fabris e as máquinas.  Essa revolução, que ainda está em curso, traz novidades a cada minuto e, ao contrário do que aconteceu na era industrial, vem tirando o trabalho das pessoas nas linhas de produção. Por consequência, esse excedente de profissionais se vê obrigado a ganhar dinheiro de outra forma: personalizando produtos e serviços e compartilhando bens e espaços.

A tendência é que cada um seja a sua própria empresa, de pessoa física para pessoa física, retornando assim, ao ciclo de artesãos. E é mais ou menos assim que a primeira edição de 2015 da revista The Economist prevê a nova organização do mercado de trabalho daqui por diante.

Esse movimento vem se multiplicando em uma infinidade de serviços novos no mundo inteiro. Sites como o www.uber.com (aluguel de espaço ou “caronas pagas” em carros particulares) ou www.freelancer.com (profissionais “on demand”) são dois exemplos dos mais conhecidos. Nos Estados Unidos já existem sites que reúnem, tambem “sob demanda”, médicos e advogados independentes, que atendem a custos mais baixos  já que não gastam em espaço físico e marketing, por exemplo.

O site www.tradeya.com é outro um exemplo de como funciona essa nova economia, na qual é possível também “trocar” bens ou serviços, quase que um “escambo” moderno. Bens duráveis passam a ser vistos como objetos de uso temporário, e não mais como patrimônio, modelo inimaginável para a geração dos Baby Boomers ou X! Para os mais velhos parece estranho alguém trocar bens ou produtos ao invés de comprá-los, mas para os Millenals isso é perfeitamente viável!

Outra mudança de comportamento arquitetada discretamente pelos mais jovens é a maneira de se hospedar. Um dos sites queridinhos da geração Y é o www.couchsurfing.com, por meio do qual é possível encontrar uma casa para ficar, sem pagar nada, em qualquer canto do mundo todo. Não precisa ser especificamente um quarto arrumadinho, e a ideia nem é essa mesmo. Pode ser um sofá, não tem problema; o que interessa para ambas as partes – hospede e anfitrião – é a gratuidade e a troca de experiências.  Da mesma forma, a internet permitiu que sites como o Trip Advisor, o Booking.com e Hotel.com levassem até as pessoas o acesso a pequenos estabelecimentos, mais baratos e tão eficazes quanto grandes estabelecimentos.

A ideia virou um verdadeiro business e sites como www.airbnb.com  e www.wimdu.com.br surgiram, se tornando ícones desse novo cenário econômico. A partir deles, é possível alugar um quarto na casa de alguém por um período definido e “sentir-se hospedado na casa de uma tia”, com um custo muito menor do que o custo de uma estadia num hotel. O Airbnb passou de um faturamento de 5 para mais de 90 mil em um ano, segundo esta reportagem. Esse artigo do Jornal do Commercio, traz os números vertiginosos do crescimento dessa empresa inovadora.  Vale a pena conferir…

O consultor Clay Shirky, em seu livro publicado em 2008 já previa no livro “Here Comes Everybody” (“Lá vem todo mundo”), que a tecnologia permitiria novas formações de grupos. Ele dizia que, quando mudamos a forma pela qual nos comunicamos, mudamos também a sociedade. É algo parecido com o que acontece com as abelhas, por exemplo. A colmeia é um dispositivo social, uma peça da “tecnologia da informação” das abelhas, que fornece uma plataforma para comunicação e coordenação para sua viabilidade.

Segundo um artigo da edição mais recente da  The Economist, o número de investimentos na economia “on demand” vem aumentando significativamente nos Estados Unidos e no resto do mundo. Essa nova economia é possível porque a tecnologia permitiu o contato direto de pessoas físicas com empresas. Da mesma forma, os recursos tecnológicos que facilitam a contratação dos serviços profissionais também contribuem para essa mudança de cenário, como é o caso dos aplicativos de localização de táxis, que mudaram completamente a forma de organização das empresas. Provavelmente, hoje, há menos pontos de táxi (ou menos táxis parados no ponto). Para a revista, vivemos uma nova organização do mercado de trabalho

O mais interessante de todo esse movimento é que não se trata de moda: é uma tendência de mercado. Para mim, há 3 fatores influindo nessa nova forma de subsistência: o excedente de trabalhadores, os recursos tecnológicos, que abreviam as buscas de nossas necessidades e  a nossa crescente demanda por rapidez nos processos.

A questão do prazo, inclusive, é fundamental hoje em dia. Ninguém quer mais perder tempo procurando serviços na internet. Preferimos um site que dê diretamente opções próximas fisicamente e disponíveis. Não há mais tempo a perder. Ou seja, mecanismos que conseguirem elencar e priorizar a informação por ordem de importância e com uma certa precisão serão cada vez mais valorizados.

Isto posto, resta refletir sobre como essa tendência mexe com as instituições já estabelecidas. Os grandes hotéis deixarão de existir em função das novas formas de hospedagem? E as agências de turismo, farão o que num futuro próximo? E as empresas de taxi?  E as consultorias de advogados ou de economistas ainda terão espaço no mercado? Que destino está reservado aos cursos em escolas?  E como será que o governo vai cobrar impostos desses serviços? Com os smarthphones assumindo importância cada vez maior no mundo hipercontectado, até onde irão essas novas formas de organização?

Já sabemos que a extinção de empregos do modelo da sociedade industrial não será um problema. A sociedade acaba se reorganizando e criando novas funções, novas possibilidades “on demand”. As empresas, por sua vez, deverão se reestruturar, buscando inovar constantemente para não perderem mercado. Quanto a nós, atores de todo esse contexto,  devemos encarar a mudança com naturalidade, como parte integrante da vida. O mundo continuará evoluindo e as premissas do passado cairão constantemente em desuso. Se dará bem quem conseguir detectar essas mudanças, se tornar parte dela, ser agente de transformação, antevendo as barreiras e aproveitando as oportunidades.

Gosto de estudar o futuro porque é lá que vou passar o resto da minha vida. Eu disse isso em um post aqui no blog, em 2009. Depois disso muita coisa mudou, é verdade, mas essa frase continua sempre atual e, mais do que nunca, fundamental para seguir em frente.

 

 

 

 

 

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