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Temos pouca informação sobre a chamada geração Z, sucessora da geração Y, e isso acontece por vários motivos. O primeiro é a proximidade de idade entre os dois grupos (para alguns autores, a geração Z começa em 1995, para outros, só em 2000). Além disso, elas também dão a impressão de serem bem próximas porque ambas nasceram e cresceram com a tecnologia, o que torna ainda mais difícil identificar um grande gap entre elas. Apesar de sabermos que não se trata do mesmo grupo, não conseguimos enxergar claramente o modelo mental da geração Z. E como eu já disse em outros posts aqui no blog, um modelo mental é o grande marco do nascimento de uma nova geração.

Outra possibilidade de análise de uma geração é por meio do seu comportamento no ambiente de trabalho. Contudo, por conta da pouca idade, os Z ainda não chegaram lá; são apenas adolescentes ou jovens profissionais em início de carreira. Mas há, sim, uma diferença fundamental e significativa, na minha opinião, entre os dois: a geração Y ainda conheceu um mundo analógico, coisa que a Z nem sabe o que é. Trata-se de uma geração 100% “touch”.

Como não existem muitos estudos sobre a geração Z, eu listei minhas descobertas pessoais sobre esses jovens para tentar ajudar a tangibilizá-los e compreendê-los melhor.

  1. Seu tempo de atenção concentrada é baixíssimo (cerca de 7 minutos, contra 50 para gerações anteriores à tecnologia);
  2. Esperam que o mundo interaja com eles da mesma forma que seus tabletes e videogames. Para ilustrar, tem a história da menininha de 2 anos se surpreendeu ao jogar um jogo da memória em papel com a avó, esperando que as cartas virassem sozinhas. Eu conto a história neste post;
  3. Têm uma nomofobia enorme, ou seja, estão o tempo todo conectados com medo de passar batido em alguma informação importante;
  4. São mais sexualizados e mais agressivos, pulsões básicas do ser humano. Um sintoma disso são as músicas que escutam, cada dia mais agressivas.
  5. Suas vivências são mais temporárias. Quando o celular está cheio de fotos, por exemplo, eles deletam as mais antigas. O importante é o momento, e não a memória passada ou o futuro. O presentismo é um valor fundamental.
  6. Querem ter prazer em altas doses e no momento presente. São estimulados por seus pais (Gerações X e Y) a buscar prazer. Estão acostumados a ouvir da família perguntas como “Do que você gosta?” ou “O que você prefere?”. Por isso, aprenderam a raciocinar com base nessas premissas.
  7. Tem várias alternativas em tudo porque vivem em um mundo de abundância e de personalização. Podem escolher modelos, cores, estampas, sabores, que estão presentes mais de que nunca nos produtos que consomem.
  8. Querem ser mais autênticos do que as gerações anteriores. Não querem representar papéis, nem em casa, nem na escola, e chegarão nas organizações com esse mesmo perfil. Se as empresas quiserem engajá-los, terão de ser também mais autênticas e respeitar as diferenças individuais.
  9. Querem ter o direito de divergir. Para eles, não basta que a empresa seja diversificada. Ela precisa também ter uma maior aceitação das diferenças e das divergências.
  10. Têm pouquíssimos ídolos.
  11. Se comunicam mais por imagens. As frases e pensamentos são curtos e as palavras inteiras, como as outras gerações conheceram, são menos importantes no tipo de comunicação que eles usam (como o WhatsApp, por exemplo).
  12. Não têm medo de errar. Sabem que isso é essencial para o aprendizado, já que aprendem por tentativa e erro, como nos videogames.
  13. Preferem aprender sozinhos. Não gostam quando alguém os ensina. O prazer da descoberta é vivido como uma conquista.
  14. Se comunicam muito mais de que as outras gerações pelos “devices” disponíveis. Podem estar jogando um jogo lado a lado mas se comunicando ao mesmo tempo.
  15. Impactados pelas crises sociais atuais (corrupção, falta de água, energia, crise na saúde, na polícia), serão mais egoístas e terão menos valores coletivos claros.  Viverão mais na base do “salve-se quem puder”, e serão menos apegados à valorização da vida, mais transgressores, mais revoltados e terão menos senso de comunidade.

Você consegue enxergar outros valores da geração Z que não listei aqui? Então deixe um comentário para contribuir com a discussão sobre esse assunto.

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