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Por Eline Kullock e Valéria Lima

Dissemos essa semana aqui no blog, em um post, que existiam poucas pesquisas sobre a geração Z. Pois encontramos uma, divulgada há 15 dias, sobre a geração Z francesa. O banco BNP Paribas e a consultoria The Boson Project entrevistaram cerca de 3200 jovens de 15 a 20 anos, de todo o país, para entender o que eles pensam de si mesmos e do mundo corporativo. Os resultados confirmaram muito do que já vem sendo dito no Foco em Gerações, mas também trouxeram nuances novas, interessantes de serem analisadas. Ainda que estejamos falando de jovens franceses, a imagem retratada pela pesquisa é muito próxima à dos jovens brasileiros.

A primeira constatação intrigante é que esses jovens têm medo de empresa. Medo não, pavor! As palavras mais citadas por eles para definir o universo corporativo foram negativas. “Duro”, “selva”, “complicado”, “fechado”, “selvagem”, “impiedoso” e “assustador” foram alguns dos termos mais lembrados. Na opinião dos entrevistados, a empresa evoca stress (36%), indiferença (26%) e nojo (13%). Esse cenário deveria preocupar as organizações, afinal, essa turma está chegando no ambiente de trabalho muito em breve…

Mas de onde vem tanto medo, se a maioria deles sequer colocou os pés em uma empresa ainda? Será que a mídia colabora para mostrar o mundo empresarial com essa cara feia? Ou será que os próprios pais transmitem aos filhos a impressão de que a empresa é o pior lugar do mundo para se estar? Pode ser tema para um bom debate… Felizmente, mais da metade dos entrevistados ainda pensa em fazer parte de um quadro de funcionários de uma empresa e 84,5% disse querer escolher a profissão por paixão. Ou seja: ainda há salvação para atrair a geração Z para as organizações…

Analisando de perto os resultados, nota-se também algo que diferencia essa geração da anterior: o peso que eles dão para os estudos. 40% disseram que a chave do sucesso está no networking, contra apenas 20% que responderam “um bom diploma” à mesma questão. Mesmo sem ter um índice anterior para comparar, temos certeza que a geração Y era mais ligada na importância da formação. Fica a impressão que os mais jovens estão realmente cansados da escola, porque entenderam que continuamos ensinando como se fazia na idade média. As outras respostas mais citadas foram experiência (26%) e um visto (10%). A possibilidade de trabalhar fora do país atrai 68,5% dos jovens franceses ouvidos pela pesquisa.

Além de serem super sinceros nas respostas, os Z consultados pela pesquisa deixaram um recado bem claro para as outras gerações: “não gostamos do estereótipo de preguiçosos que vocês nos atribuem”. Para eles, o fato de passarem o dia com um smartphone na mão não significa que estão desconectados do mundo real. “É assim que enriquecemos nossos conhecimentos”, bradam. Outra mensagem direta: eles dizem conhecer sim as normas ortográficas e entendem muito bem a diferença entre digitar um SMS e escrever um texto formal. “Conhecemos as regras mas só usamos quando necessário”. #ficaadica

Para finalizar, os respondentes descreveram a empresa ideal. Para eles, ela deve ser: mais confiante nos jovens, mais ágil (inovadora e aberta ao erro), mais plana (menos hierárquica), mais voltada para o ser humano, mais igualitária (meritocracia), mais flexível (ritmo, horários, local de trabalho e códigos), mais aberta (integração com a escola) e mais engajada.

Olhando assim, com nossos olhos de geração X ou Baby Boomer, fica parecendo tudo muito utópico. Mas talvez eles tenham razão. Talvez tudo isso seja possível mesmo. Ou, quem sabe, parte disso. Pode ser que eles mesmos sejam capazes de promover essas mudanças no mundo organizacional e ainda manterem as empresas sustentáveis. Quem sabe? De qualquer forma, é importante irmos descobrindo o que os jovens da geração Z pensam e querem. Afinal, eles já são consumidores hoje. Amanhã serão nossos colegas de trabalho e, num futuro próximo, serão nossos chefes.

Clique aqui para ver a pesquisa completa (em francês)

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