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“Cavalo dado não se olha os dentes” é um ditado da minha geração. Certamente os jovens de hoje nem conhecem esta expressão. Mas, se a gente pedisse para alguém da geração Z escrever isso, a frase seria dita assim:

 

É um contra-censo. Essa expressão era muito utilizada, na minha época, para nos educar a não reclamar de um presente que tínhamos ganhado mas não tínhamos gostado. Mesmo insatisfeitos, deveríamos ser discretos e, para deixar a regra bem clara, nossos pais usavam a seguinte expressão:


Ou, traduzindo para a geração Baby Boomer: “em boca fechada não entra mosca”. Bem diferente da liberdade de expressão e do direito a voz que as gerações atuais tem dentro da família…

Quando nossos pais definiam em qual restaurante íamos comer no final de semana, tínhamos que ficar quietos. Hoje em dia, vejo os pais jovens perguntando aos seus filhos: Vocês querem comer pizza ou cahorro-quente? E a garotada ainda responde: “Nada disso, queremos sushi!” E toca a família inteira pro japonês….

Neste final de semana, meus netos cariocas estavam hospedados em minha casa. Como qualquer avó normal, comprei sucos de frutas de vários sabores pra eles. E, num dado momento, perguntei ao meu neto Pedro: “Pepê, qual suquinho você quer?”. Pedro olhou pra mãe, minha nora, que reforçou a pergunta: “Vovó está dizendo pra você escolher, Pepê. Qual deles você gosta mais?” E o meu neto, confiante, disse: “Prefiro o de uva”.

Pedro é ensinado desde pequeno a escolher o que gosta mais. Esta opção lhe é dada, salientada e reforçada, sempre que possível. Escuto inúmeras mães me dizendo: “Não posso mais escolher a roupa que minha filha vai vestir. Ela decide sozinha, encasqueta com uma determinada roupa (ou fantasia) e sai desfilando com o que quer”.

Como pais, estamos permitindo a felicidade instantânea dos nossos filhos e, por mais paradoxal que seja, não compreendemos o comportamento deles quando chegam ao mercado de trabalho. Ficamos abismados quando, na empresa, eles querem se expressar e nos assustamos quando eles dizem: “Eu quero mais é ser feliz!”

O mundo mudou muito mesmo. Na minha época, era cada macaco no seu galho.

 

A gente usava a roupa que a mamãe escolhia. E ponto. Depois disso veio uma revolução. E dizem que, hoje em dia, quem não chora não mama.

 

As crianças aprendem a defender a possibilidade de escolher e de dizer o que pensam. E dizemos a elas o tempo todo: “Escolha, decida, fale o que pensa! Se está em dúvida sobre qual profissão seguir, escolha a que te faça feliz!” Parece que as pessoas estão cansadas de deixar a tal da felicidade pro futuro. Acho que essa geração adotou, em seu estilo de vida, nosso lema: “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”.

É melhor ser feliz agora do que esperar por uma possibilidade futura, na visão das novas gerações. Esses jovens querem que as organizações que lhes permitam ser felizes em tempo real, porque nós, seus pais, lhes ensinamos que podem e devem se expressar. Que podem decidir sobre sua felicidade agora e sempre. Que podem falar de forma criativa, se expressar por emoticons, por desenhos ou de qualquer forma. Nós lhes ensinamos que qualquer forma de amor vale a pena e que santo de casa não faz milagre!

Mas que ele mesmo, jovem da Geração Z, pode fazer acontecer seu próprios milagres!

Então, como conciliar o discurso e a ação?  Como explicar para os executivos que questionam “que geração é essa?” que é a mesma geração que está sendo educada, em casa, a se expressar, a buscar a tal da felicidade, e a ter prazer durante a vida?

Uma sociedade é dinâmica e não seria diferente na sociedade brasileira atual. Estamos em constante mudança de usos, costumes e modelos. As gerações serão sempre diferentes, refletindo a sociedade em transformação. O melhor é tratarmos de compreender as mudanças e falar sobre elas, sem julgar que uma geração será melhor do que a outra.

Afinal, a união faz a força. Lembra?

 

 

 

 

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