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Eu sempre disse aqui no blog que a geração Y não era politizada porque tinha crescido em um ambiente político/social/econômico estável e favorável e, portanto, não via a necessidade de se envolver na vida política do país. Pois bem: hoje eu retiro tudo o que disse sobre o não-comprometimento dos jovens com a os rumos do Brasil.

Fui à manifestação na avenida Paulista ontem, dia 15 de março e, para minha surpresa, vi muita gente jovem, falando com orgulho do nosso país, de mãos dadas com pessoas de outras gerações. Dessa vez, sem conflitos, como aqueles que vemos nas empresas! Testemunhei também muita gente de cabelo já branquinho, com muletas, com andadores, de cadeira de rodas de mãos dadas com a geração Z, crianças que vestiam também o amarelo e ganharam uma aula de patriotismo, de inserção social e política. Os pequenos passeavam nos ombros de seus pais ou no chão, de mãos dadas. Tudo isso em um ambiente sem medo ou quebra-quebra…

Não houve exageros, não houve ansiedade. A geração Y, que não tem resistência à frustração, soube se controlar com maestria. Eu também costumo dizer que esta geração não tem planejamento. Pois bem: muitos escreveram cartazes, levaram faixas, bandeiras, apitos. Houve bastante planejamento para que a manifestação ocorresse sem conflitos, com tranquilidade, união, integração, transmitindo a mensagem que eles queriam passar.

Como é típico da geração Y, não havia um líder. Eu circulei pela avenida de ponta a ponta. Havia vários grupos puxando os gritos e hinos. A cada quilômetro havia um carro de som e, mesmo no topo do carro, as pessoas se revezavam no pedido à população para que gritasse com eles por um Brasil melhor. A geração Y questiona a autoridade e o protesto não seria feito para e pela geração Y se tivesse um líder somente.

Um ou outro petista aparecia na janela de algum prédio com bandeira vermelha e, novamente, o humor dessa geração aparecia quando eles pediam em coro: “Pula, pula”!

As maiores questões estavam ligadas à corrupção e à saída da Presidente e de todo o Partido dos trabalhadores do poder. Havia cartazes ainda por uma melhor educação e por uma saúde pública decente.

O clima era de união e paz. As ruas adjacentes também estavam cheias e, em alguns trechos, impedidas ao trânsito! E quando saí e fui encontrar alguns amigos, havia pessoas de amarelo nos restaurantes, nas ruas, nos bares. Embora o Instituto Datafolha tenha calculado 210.000 manifestantes, para quem sabe fazer cálculo de multidões, o montante era claramente bem maior. Era de, pelo menos, um milhão de pessoas. Sem contar aqueles que vestiram amarelo e não foram até a Avenida Paulista.

Esta foi uma excelente oportunidade de preparar a geração Z para as possibilidades da multidão. Clay Shirky tem livros ótimos sobre o poder das multidões organizadas somente pelas mídias sociais. “Aqui vem Todo Mundo – o Poder de Organizar sem Organizações”, é um livro excelente e deve ser lido para que se compreenda o potencial das vozes das ruas.

Estou revendo minhas opiniões sobre as novas gerações. Quando a geração Y quer, ela sabe se organizar. Vamos reproduzir isso nas organizações e lembrar a eles que eles têm resistência à frustração, não são mimados, tem alto poder de se organizar e sabem planejar, como já mostraram. Basta ter uma motivação forte e tudo acontece.

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